Na noite do dia 25 de março de 2026, às 19h, a Câmara Municipal de Vereadores de Ubá (MG) foi palco de um momento marcante para a cultura e a saúde mental do município: o lançamento do livro Retalhos de Mim: Vozes Literárias Tecendo Saídas para o Sofrimento. O evento reuniu autoridades, profissionais da saúde, representantes da rede de atenção psicossocial, familiares e a comunidade, celebrando não apenas uma obra literária, mas o resultado de um processo coletivo de cuidado, criação e inclusão social.
O livro é fruto das oficinas de literatura desenvolvidas pela Andorinhas – Associação Ubaense de Saúde Mental, dentro do projeto Centro de Cultura Nise da Silveira, e reúne poemas e textos produzidos pelos associados da entidade. Mais do que uma coletânea, a obra se apresenta como um registro sensível de trajetórias de vida, experiências de dor, resistência e reconstrução, mediadas pela palavra.
Durante a cerimônia de lançamento, foi destacada a importância do livro como expressão concreta dos princípios da Reforma Psiquiátrica e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), ao valorizar o cuidado em liberdade, o protagonismo dos usuários e a produção de sentido como parte fundamental do processo terapêutico. As oficinas de literatura, que deram origem à publicação, foram reconhecidas como dispositivos potentes de escuta, expressão e reinserção social.
A noite também marcou o encerramento do projeto Centro de Cultura Nise da Silveira, que ao longo de sua execução consolidou-se como um importante espaço de articulação entre saúde mental, arte e cultura. Inspirado no legado de Nise da Silveira, o projeto reafirmou a arte como linguagem legítima de cuidado, promovendo oficinas, exposições e ações culturais voltadas à valorização da singularidade dos participantes e à ampliação de sua participação social.
O lançamento de Retalhos de Mim simboliza, assim, mais do que a conclusão de um ciclo. Representa a materialização de uma aposta: a de que, mesmo em contextos marcados pela exclusão e pelo sofrimento psíquico, é possível construir caminhos de expressão, pertencimento e reconhecimento. Cada texto reunido no livro carrega fragmentos de histórias que, ao serem compartilhadas, rompem com o silêncio e ganham lugar no campo da cultura.
Ao transformar palavras em livro, a Andorinhas reafirma seu compromisso com um cuidado em saúde mental que ultrapassa o modelo clínico tradicional, integrando arte, escuta e território. A obra passa agora a circular para além das oficinas, alcançando novos leitores e ampliando o alcance das vozes que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
O evento foi marcado por momentos de emoção, leitura de trechos da obra e falas que ressaltaram a potência do trabalho desenvolvido ao longo dos anos pela instituição. Ao final, ficou evidente que o encerramento do projeto não representa um ponto final, mas a continuidade de uma trajetória que segue apostando na dignidade, na palavra e na vida em comunidade.
Confira algumas fotos do evento.


























