A Associação Andorinhas deu início, nesta segunda-feira, 18 de maio, à programação especial da Semana da Luta Antimanicomial, reafirmando seu compromisso com a defesa da saúde mental, da dignidade humana, da inclusão social e do cuidado em liberdade.
O primeiro dia de atividades contou com a presença da Joana D’Arc da Costa Zanelli, referência técnica regional de Saúde Mental da Superintendência Regional de Saúde de Juiz de Fora/SES-MG, que conduziu uma importante palestra sobre o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A atividade trouxe reflexões fundamentais sobre a história da Reforma Psiquiátrica, os avanços conquistados ao longo dos anos e os desafios que ainda permanecem na construção de uma sociedade sem manicômios.
Com o tema central “Trancar não é tratar”, a palestra destacou que o cuidado em saúde mental deve acontecer em liberdade, no território, na comunidade e com afeto. A reflexão também retomou marcos históricos da luta antimanicomial no Brasil, como o Movimento da Reforma Psiquiátrica, o Encontro de Bauru, a Lei Federal nº 10.216/2001 e a criação da Rede de Atenção Psicossocial — RAPS. O material apresentado reforçou uma ideia essencial: pessoas em sofrimento mental são sujeitos de história, vida, direitos e pertencimento social.
Durante o encontro, os participantes foram convidados a pensar sobre a pergunta: “Onde a vida acontece para você?”. A provocação reafirma um dos princípios mais importantes da luta antimanicomial: a vida não deve ser interrompida pelo isolamento, pelo abandono ou pela exclusão. Ao contrário, o cuidado precisa fortalecer vínculos, ampliar possibilidades e garantir que cada pessoa possa ocupar seu lugar na cidade, na família, na cultura e na comunidade.
A Semana da Luta Antimanicomial na Andorinhas segue com uma programação especial ao longo dos próximos dias, reunindo atividades culturais, momentos de convivência, reflexão e celebração da vida. Mais do que uma data comemorativa, o 18 de maio é um chamado ético, político e humano para lembrar que nenhuma pessoa deve ser reduzida ao seu sofrimento.
Após a palestra, a programação seguiu em clima de alegria e convivência com um animado jogo de bingo, proporcionando integração entre os participantes. Para encerrar o primeiro dia, todos compartilharam um delicioso cachorro-quente, em um momento de confraternização que simbolizou, na prática, aquilo que a Andorinhas defende cotidianamente: cuidado também se faz com encontro, escuta, afeto, presença e pertencimento.
A Andorinhas reafirma: manicômios nunca mais. Cuidar é garantir liberdade, dignidade, território, cultura e cidadania.










