A Associação Andorinhas deu continuidade, nesta terça-feira, 19 de maio, à programação especial do Mês da Luta Antimanicomial, realizando uma importante roda de conversa sobre autocuidado, conduzida pela psicóloga Franciele Vieira. A atividade marcou o segundo dia da semana comemorativa e reforçou uma reflexão essencial para os dias atuais: cuidar da saúde mental é reconhecer que todos nós temos histórias, feridas, desafios, alegrias, tristezas e formas diferentes de lidar com aquilo que nos atravessa.
Durante a conversa, Franciele destacou que nem sempre as coisas vão bem e que isso faz parte da experiência humana. Cada pessoa enfrenta seus problemas de um jeito próprio. Algumas conseguem elaborar suas dores com mais rapidez; outras precisam de mais tempo, mais escuta, mais acolhimento e mais cuidado. Essa compreensão é fundamental para combater julgamentos, preconceitos e visões simplistas sobre o sofrimento psíquico. A roda de conversa possibilitou aos participantes refletirem sobre suas próprias vivências, seus modos de enfrentar dificuldades e a importância de reconhecer os sinais de cansaço, tristeza, ansiedade, sobrecarga e sofrimento. O autocuidado foi apresentado não como algo individualista ou distante da realidade, mas como uma prática possível no cotidiano, construída por meio da escuta, do respeito, da convivência, dos vínculos e da valorização da própria história.
A tarde também foi marcada por um bonito momento de cuidado, beleza e fortalecimento da autoestima. Contamos com a presença dos alunos do curso de estética do UNIFAGOC que ofertaram um momento ímpar para os associados além de atividades como massagem, limpeza de pele e cuidados com as unhas, proporcionando aos participantes uma experiência concreta de acolhimento, bem-estar e valorização pessoal. Essas ações têm grande importância no campo da saúde mental, pois ajudam a resgatar a autoestima, o sentimento de pertencimento e a percepção de dignidade. Muitas vezes, pessoas em sofrimento psíquico ou em situação de vulnerabilidade social têm sua imagem, sua voz e seus desejos apagados pela exclusão, pelo preconceito e pela rotina de adoecimento. Ao oferecer espaços de cuidado corporal, escuta e atenção individualizada, a Andorinhas reafirma que cada pessoa merece ser vista com delicadeza, respeito e humanidade.
Dentro da perspectiva da luta antimanicomial, falar de autocuidado também é falar de liberdade, dignidade e pertencimento. É compreender que o cuidado em saúde mental não se resume a remédios ou tratamentos isolados, mas envolve relações humanas, território, cultura, afeto, participação social e o direito de cada pessoa existir sem ser reduzida ao seu sofrimento. A atividade reforçou o compromisso da Andorinhas com uma prática de cuidado em liberdade, promovendo espaços onde as pessoas possam falar, escutar, conviver, elaborar suas experiências, fortalecer sua autonomia e reconhecer o próprio valor.
A programação especial segue ao longo da semana. Após a palestra de abertura com Joana Zanelli, referência técnica em saúde mental da GRS de Juiz de Fora, e a roda de conversa desta terça-feira com Franciele Vieira, a Andorinhas ainda realizará piquenique, atividades terapêuticas, sessão de cinema, pipoca, tarde dançante temática e café comunitário.
Mais do que uma semana de atividades, a programação da Luta Antimanicomial reafirma uma mensagem central: ninguém deve enfrentar sozinho suas dores, e todo cuidado verdadeiro precisa ser feito com liberdade, respeito, afeto e humanidade.








