No dia 14 de outubro de 2026, a Andorinhas — Associação Ubaense de Saúde Mental realizou, em sua sede, a quarta Mediação Cultural do projeto Ubá em Cena – Festival de Artes, Memória e Economia Solidária. O encontro contou com a participação de integrantes do Congado Nossa Senhora do Rosário de Ubá, uma das mais representativas manifestações da cultura popular e da memória afro-brasileira do município, proporcionando aos associados uma experiência de valorização da ancestralidade, dos saberes tradicionais e da identidade cultural de nossa cidade.
Mais do que uma apresentação cultural, a atividade constituiu um espaço de encontro, escuta e compartilhamento de conhecimentos. Ao aproximar os associados daqueles que preservam e transmitem essa tradição, a mediação buscou reconhecer o protagonismo dos mestres e integrantes da cultura popular, valorizando histórias, experiências e expressões que atravessam gerações e permanecem vivas na memória coletiva.
A história do Congado Nossa Senhora do Rosário está profundamente relacionada à presença africana e afro-brasileira na formação histórica e cultural de Ubá. Suas origens locais remontam ao período anterior à Abolição da Escravatura, em 1888. A tradição reúne elementos da religiosidade católica e de matrizes culturais africanas, expressos por meio de cantos, danças, instrumentos musicais, cortejos e representações simbólicas que carregam memórias de ancestralidade, resistência, espiritualidade e pertencimento.
Em 7 de outubro de 1975, foi oficialmente fundada a Sociedade Ubaense de Congados Nossa Senhora do Rosário, dedicada à continuidade dessa tradição centenária. Sua relevância histórica e cultural foi reconhecida pelo município em 2006, quando a Banda de Congada de Ubá recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial. Esse reconhecimento reafirma a importância de preservar não apenas os monumentos e espaços históricos, mas também os saberes, as celebrações e as manifestações populares que constituem a identidade de um povo.
Ao receber o Congado, a Andorinhas reafirmou a importância de criar oportunidades para que seus associados conheçam, vivenciem e se reconheçam na diversidade cultural do território. Na perspectiva do cuidado em liberdade, o acesso à cultura também representa o exercício de um direito, fortalecendo vínculos, ampliando repertórios e promovendo experiências de convivência, reconhecimento e participação social.
A quarta Mediação Cultural do Ubá em Cena reforça, assim, o compromisso da Andorinhas com a valorização da cultura popular, a preservação da memória afro-brasileira e a circulação dos saberes tradicionais. Ao aproximar diferentes gerações, histórias e formas de expressão, o projeto contribui para que o patrimônio cultural de Ubá seja não apenas conhecido, mas também reconhecido, compartilhado e valorizado pela comunidade.
Preservar a cultura é reconhecer as pessoas que a construíram e aquelas que continuam mantendo suas tradições vivas. É compreender que a memória não pertence apenas ao passado, mas se renova a cada encontro, a cada história compartilhada e a cada geração que encontra nela novas possibilidades de pertencimento.





























































