No dia 26 de agosto de 2026, a Andorinhas — Associação Ubaense de Saúde Mental realizou sua segunda Mediação Cultural dentro do projeto Ubá em Cena – Festival de Artes, Memória e Economia Solidária. Realizado na sede da instituição, o encontro foi dedicado à troca de experiências, conhecimentos e vivências sobre os diferentes caminhos da arte.
Inspirada pela celebração do Dia do Artista, comemorado em 24 de agosto, a atividade recebeu o artista e construtor-artista Fernando Sacco da Costa Zanelli, que compartilhou com os associados sua trajetória de mais de 25 anos nas artes, seus processos criativos e conhecimentos técnicos construídos por meio da prática, da pesquisa e da experimentação.
Fernando iniciou sua trajetória profissional aos 14 anos, trabalhando na construção civil ao lado do pai. Aos 24 anos, transformou os conhecimentos adquiridos com materiais e construção em uma nova forma de criar, passando a trabalhar com a transformação de motos, bicicletas, objetos e ambientes. Sua produção é marcada pela Custom Culture, pela reutilização de materiais e pelo diálogo entre passado e presente, reunindo referências da cultura automotiva, da estética dos anos 1950, da Route 66, da cultura ferroviária e das raízes culturais mineiras.
Ao longo de sua carreira, desenvolveu trabalhos em pintura, pintura automotiva, aerografia, desenho, escultura, montagem de objetos, customização e revitalização de peças, além de projetos que aproximam arte, design, gastronomia e cultura.
Um dos pontos centrais compartilhados durante a mediação foi sua compreensão da arte como um processo permanente de aprendizado. Mesmo após décadas de experiência, Fernando se define como um praticante e eterno aprendiz, destacando a importância da curiosidade, da experimentação e da disposição para continuar criando.
A conversa também abordou sua experiência com oficinas de arte e educação, reforçando a importância da circulação e do compartilhamento de saberes. Para Fernando, ensinar também é uma forma de continuar aprendendo.
Dentro do projeto Ubá em Cena, a Mediação Cultural foi pensada justamente como um espaço de encontro entre artistas, associados e comunidade. Mais do que transmitir técnicas, a atividade buscou ampliar repertórios, fortalecer vínculos e mostrar que a arte pode nascer da experiência, da prática e do desejo de experimentar.
No contexto da saúde mental, experiências culturais como essa também fortalecem expressão, convivência e pertencimento. Elas estão diretamente relacionadas ao conceito de cuidado em liberdade, que orienta o trabalho da Andorinhas: cuidar também significa criar oportunidades para que as pessoas ocupem espaços culturais, desenvolvam habilidades, compartilhem conhecimentos e sejam reconhecidas por aquilo que criam.
Ao realizar sua segunda Mediação Cultural, a Andorinhas dá continuidade a um percurso que aproxima arte, cultura, memória, cidade e saúde mental. Um percurso que valoriza o conhecimento técnico, mas também reconhece a experiência e acredita que toda pessoa pode encontrar novos caminhos para aprender, criar e pertencer.
Porque, quando o conhecimento é compartilhado, a arte deixa de ser apenas aquilo que se observa. Ela se torna encontro. E, no encontro, também se constroem cuidado, pertencimento e liberdade.

















